sexta-feira, 26 de março de 2010

ENOC 2010

ENOC 2010 - Encontro Nacional de Obreiros Cristãos

Dias 2 e 3 de Abril

Informações no site do AMO (Acampamento Monte das Oliveiras)
http://acampamontedasoliveiras.com.br

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Viagem ao ENOC 2009

Foi extremamente encorajador esse final de semana em São Paulo para o ENOC. Sempre é bom estar lá, rever irmãos e aprender a servir melhor ao Reino de Deus.

Foi muito bom ter convivio com grandes amigos como André e Marcus Jamaica, ambos importantissimos em minha caminhada.

Mas especialmente foi bom saber noticias e ver o avanço que os irmãos da Internacional estão tendo em suas congregações. Não somente avanço numérico mas de maturidade.

Foi ótimo conversar com Éttore, ministro do setor Metrosul (da ICOC)e ter noticias de irmãos e da maneira mais saudável com que estão liderando a Igreja.

Também foi bom saber que uma congregação da internacional no interior de São Paulo convidou um obreiro da Igreja de Cristo para ministrar palestras e ver que é possivel (re)aproximar relacionamentos abalados no passado.

Deus através da palavra do espírito, está levando sua Igreja no Brasil a um nivel de compreensão maior. Algo que fez no 1o seculo com o inicio da pregação fora de Jerusalém e depois aos gentios. Eles resistiram por um tempo a seguir o plano de Jesus (Atos 1.8), mas foram perseguidos e espalhados e, começaram a pregar em Samaria e outras cidades e, logo depois Pedro pregou ao gentio Cornélio e dai por diante com Paulo e seus companheiros aos gentios(Atos 9,10 e 11).
Oro para que um dia tenhamos um convivio realmente próximo, cooperativo e saudável entre os grupos. Jesus espera unidade entre seus filhos (João 17).

Glória a Deus por tudo isto!!!
Almir

quarta-feira, 15 de abril de 2009

ENOC

Estivemos juntos no ENOC, agora em abril de 2009 juntos com irmãos do Brasil todo. Que Deus abençoe nosso trabalho para Cristo.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Noticias

Desculpe-nos a demora mas esse perído sem textos tem um motivo: Nós dois nos tornamos pais pela segunda vez. As esposas estão precisando de mais ajuda.

Em breve voltaremos.

Em Cristo
André e Almir

segunda-feira, 31 de março de 2008

O SIGNIFICADO DA CRUZ PARA UM CRISTÃO

O SIGNIFICADO DA CRUZ PARA UM CRISTÃO

1 Coríntios 15:1-10
Resumo do Evangelho

Jesus morreu pelos nossos pecados: Perdão da Culpa

Sepultado e Ressuscitado: Esperança Vida Eterna

Isaías 53
v. 4-5 Sofreu o castigo merecido por nós, carregou nossas transgressões (pecados)
v. 6 Ele nos traz ao Pai pela Graça. Pagou por nós o preço do Pecado (Morte)
v. 10 Cumpriu a Vontade de Deus, não por ver um justo pagar, mas dar perdão aos injustos (nós)
v. 11 Fruto: nosso arrependimento

1 João 4:9-11
Jesus é a propiciação dos nossos pecados. Nosso amor a Deus é a resposta disso.

1 Pedro 3:18
A morte de Jesus foi única.
Justo (pagar pelos Injustos) – Ressuscitado (Levar a Deus)

Atos 2:22-23
Sua morte não foi acidental – foi determinada por Deus com esse propósito.

1 Pedro 2:21-24
Morreu pelos nossos pecados para que tivéssemos uma vida diferente.

2 Timóteo 2:8-15
Morremos com ele (no batismo) onde participamos de sua cruz, vivemos uma vida diferente e com esperança de uma vida eterna (viveremos com ele, onde ele vive!).

Colossenses 2:8-12 / 3:1-10
Não se enganar pelas tradições e idéias humanas. No batismo somos sepultados e participamos da cruz de Cristo, ressuscitando para uma nova vida espiritual.
Deixar a vida de pecado para trás é conseqüência de aceitar a cruz.

Romanos 6:1-10
A mensagem toda se encaixa:

Morte de Jesus na Cruz = Propiciação dos nossos pecados

Sepultamento = Batismo (deixamos o velho homem)

No Sepulcro (Espírito de Deus > Ressurreição) = No Batismo (recebemos perdão e Espírito Santo)

Vida Eterna = Inicia-se aqui, mas viveremos com Jesus eternamente

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

ENOC 2008

ENOC 2008
TEMA: A MASCULINIDADE CRISTÃ


PROGRAMAÇÃO

21/MARÇO – SEXTA-FEIRA

10h00 – Abertura
10h10 – Louvor Equipe do Rio de Janeiro
10h20 – 1ª Palestra: “Síndrome do Pai Ausente”
Ricardo Samaan, São Paulo – SP

11h05 – Avisos
11h15 – 2ª Palestra: “A Imagem Masculina na Herança Católica na América Latina”
Álvaro Pestana, Campo Grande – MS

12h00 – Almoço
14h00 – Louvor – Equipe do Rio de Janeiro
14h10 – 3ª Palestra: “O Homem de Guerra: Iniciativa e ação”
Ênio Latorre, Bauru – SP

15h00 – Louvor
15h15 – Ferramentas e Sugestões Úteis ao Ministério
16h10 – 4ª Palestra: “Síndrome de Adão”
Dennis Downing, Recife - PE

17h00 – Tempo Livre / Banho
18h30 – Jantar
20h00 – Louvor
20h10 – 5ª Palestra: “O que é Insubmissão e Como lidar com Ela”
Jerry Heidrich, Curitiba – PR

21h00 – Louvor
21h15 – Grupos de oração (5 ou 6 pessoas)
21h30 – Chá / Comunhão
22h00 – Toque de recolher


22/MARÇO – SÁBADO

07h00 – Acordar
07h45 – Café
09h00 – Louvor
09h15 – 6ª Palestra: “Os papéis do Homem”
Antenor Gonçalves, Itu – SP

10h00 – Louvor
10h15 – 7ª Palestra: “O Homem na Igreja”
Giovanni Vantuil, Betim – MG

11h00 – Louvor
11h15 – Grupos de Oração (5 ou 6 pessoas)
11h30 – Avisos Especiais
12h00 – Almoço
14h00 – 8ª Palestra: “O problema da Preguiça e Ética do Trabalho”
Bio Nascimento, Recife – PE

14h45 – Louvor
15h00 - Encerramento

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

ENOC 2008

ENOC 2008 (Encontro Nacional de Obreiros Cristãos das Igrejas de Cristo)

Local: Acampamento Monte das Oliveiras Embú-Guaçu-SP

Data: 21 e 22 de Março de 2008 (feriado da "semana santa")

Mais informações sobre temas das aulas passarei posteriormente.

É uma ótima oportunidade de rever irmãos, conhecer outros e fortalecer os laços da comunhão cristã.

Almir


ENOC 2007 - Da esquerda para a direita em pé: Almir (Igreja de Cristo em Vitória), Eduardo (Igreja de Cristo nos lares) e Flávio (Igreja de Cristo nos lares); agachados: André Lopes (Igreja de Cristo Nove de Julho) e André Caputo (Igreja de Cristo nos lares).


Confraternização - Da esquerda para a direita em pé: Almir, Eduardo, Márcio e Miriam Diniz (Igreja de Cristo Internacional do Butantã), Marcos e Aretha (Igreja de Cristo Internacional da Freguesia do Ó), Flavio e Rita (logo abaixo); Agachados e sentados: Kátia e Gabriela, Beto, André e Rita Caputo.


Irmãos da Igreja de Cristo em Vitória: esquerda p/ direita: Almir, Marcelo, Newton e Gustavo

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

ROMANOS 14 E 15

Esse texto é um resumo do sermão que fiz no culto do último domingo (09/12/07) sobre o tema "Como lidar com nossas diferenças?"

Para lidar com nossas diferenças dentro da Igreja precisamos entender que:

1) Não somos ninguém para julgar o servo de Deus - Romanos 14.1-4
A Palavra utilizada para julgar nesse trecho, tem em um dos seus significados a palavra condenar e a expressão "colocar de lado".

Não podemos condenar os servos de Deus. Ele quem tem a autoridade para isso.

2) Apesar de pensarmos diferente em assuntos não-essenciais, sempre devemos reavaliar nossas convicções pois seremos julgados por Deus - Romanos 14.5-12

Deus julgará cada coisa que cremos. Tradições e métodos de trabalho dos nossos grupos não devem ser mais importantes que a verdade e a busca por ela.

3) Precisamos pensar nos outros e entender que nossos atos tem consequências - Romanos 14.13-21; 15.1-4

É preciso considerar os outros nas nossas atitudes.
Ser maduro na fé é aprender a pensar nos que estão ao seu redor.
Semelhantemente ao casamento, na Igreja precisamos aprender a abrir mão de nossas opiniões pelos outros.
Esse é um pré-requisito para o homem cristão governar bem sua casa; abrir mão de suas opiniões e considerar a opinião da esposa. Não é a toa que governar bem a casa é, por outro lado, um pré-rquisito para governar a Igreja no presbitério. Se cumprirmos bem a lição de casa, faremos a lição na Igreja.

É preciso aprender o que realmente importa no Reino de Deus. Discussões teológicas ou paz?
Romanos 14.17 "Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo".

4) Apesar das diferenças, temos algo mais forte que nos torna iguais - Romanos 15.7

Cristo aceita pessoas diferentes e quem somos nós para não aceitar quem Deus aceitou.
Isso é ir contra sua vontade.

Almir Luz

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Parte 2 - Comando, Exemplo, e Inferência Necessária

Comentário sobre a Hermenêutica da Restauração

Texto traduzido do artigo: "Command, Example, and Necessary Inference"
Texto de Alan Rouse
Fonte: http://rouses.net/blog/hermeneutics/command-example-and-necessary.html

Durante o século XX, o fundamento para as doutrinas das igrejas de Cristo foi uma hermenêutica conhecida como Comando, Exemplo, e Inferência Necessária (CENI, sigla em inglês). Essa abordagem entende que existem três maneiras diferentes nas quais as Escrituras comunicam com autoridade a vontade de Deus. Primeiramente, há mandamentos explícitos (“Arrependa-se e seja batizado…”). Em segundo, há exemplos ou precedentes aprovados (“Paulo e Barnabé apontaram presbíteros em cada igreja”). Em terceiro lugar, existem inferências necessárias (“no primeiro dia de cada semana, cada um de você deve reservar uma quantia de dinheiro de acordo com sua renda, separando de modo que quando eu for não seja necessário serem feitas coletas.” Conclui-se que devem ter ocorrido reuniões em cada primeiro dia da semana. E conseqüentemente nós somos obrigados fazer o mesmo). De acordo com a CENI, se um ensino for encontrado em qualquer uma das três formas nas Escrituras, nós somos obrigados a obedecer.

A princípio, a autoridade bíblica derivada dos mandamentos diretos é relativamente sem controvérsias.
A maioria concordaria também que se encontramos um precedente aprovado nas Escrituras para uma prática, essa seria aprovada para nós também. Considerar um precedente aprovado como um mandamento com autoridade é talvez mais controverso. Considerar como autoridade bíblica as Inferências necessárias, por sua vez, tem sido quase sempre controverso.

Na Sexta Proposição de Thomas Campbell do texto da “Declaration and Address”, ele declara que inferências e deduções das Escrituras não são compreendidas por um indivíduo além de sua compreensão atual e, conseqüentemente, tais inferências não podem ser usadas em assuntos que limitem a comunhão.

O filho de Thomas Campbell, Alexander, se opôs inicialmente a idéia de utilizar inferências das Escrituras, embora sua posição pareça ter mudado com o passar dos anos. Há muitos exemplos em seus escritos que deixam a entender que a inferência necessária é uma prova bem menos satisfatória do que um mandamento ou um exemplo.

Dois estudantes de Alexander Campbell, J.W. McGarvey e Moses Lard, começaram a ampliar a autoridade da inferência necessária por volta da metade do século XIX. Outros, incluindo David Lipscomb, resistiram fortemente à idéia. Mas por volta de 1880, a utilização de inferência necessária como autoridade das Escrituras estava estabelecida nos segmento mais conservadores do Movimento de Restauração. Algumas citações dos proponentes notáveis naquele tempo:

... a reforma consiste em um esforço para induzir todos os verdadeiramente piedoso em Cristo a estarem perfeitamente unidos no mesmo espírito, e no mesmo julgamento, aceitando como doutrina precisamente e somente aquilo que realmente está afirmado ou claramente implícito na Bíblia; falar as mesmas coisas, falando o que a Bíblia fala, e utilizando para isso a linguagem que Bíblia utiliza; e praticar as mesmas coisas, fazendo simplesmente a vontade de Cristo. (Moisés Lard, Lard's Quarterly, 1864)

Temos solenemente acordado que o que não pode ser claramente demonstrado possuir autoridade de mandamento deve ser considerado como não doutrina, e não deve ser praticado... Para garantir a manutenção de uma doutrina ou prática, esta deve possuir um mandamento afirmativo ou positivo, e não simplesmente ‘não ser condenado’. Tal coisa deve ser efetivamente afirmada ou necessariamente implícita ou deve ser positivamente apoiada por algum precedente divinamente aprovado. De outra forma, não é sequer um item no cristianismo, e é, portanto, quando se tenta incluí-lo, criminoso e errado. (Moisés Lard, Lard's Quarterly, 1864)

O chamado que vem do céu para os homens desta geração é de guerra, dureza, incansável, impiedoso e exterminador contra tudo que não está expressamente ou implicitamente autorizado pelo Novo Testamento. (J W McGarvey, The Millennial Harbinger, 1868)

Eu tenho sido ensinado por toda a minha vida que as Escrituras ensinam 'por preceito aprovado, por exemplo apostólico e por inferência necessária', e é certo que isto é correto .... tenho a certeza que é seguro fazê-lo como fizeram; E não estou certo de que é seguro fazer de qualquer outra forma. (James Harding, 1901)

Esses homens eram homens de grande integridade e conhecimento. Eles influenciaram outros com proibições e inferências e eu acredito que as suas posições foram nobres e corretas. Mas creio que as batalhas teológicas da época os levaram a proibir exemplos e inferências necessárias. Ao fazê-los eles abandonaram uma parte importante do chamado à unidade da Declaration and Address de 1809. E o resultado foi muita divisão na igreja.

Gostaria de estudar mais sobre esse assunto. As próprias Escrituras contêm instruções e exemplos de como aplicar corretamente as escrituras. Acredito muito que podemos aprender examinando como Jesus e os apóstolos utilizaram as escrituras.

Quando um Comando é um Comando?

Quando um comando é um comando?

Nem todas as declarações nas formas gramaticais de um comando (modo imperativo), são concebidas como um mandamento. Vejamos alguns exemplos:

Em Atos 2:38, os verbos "arrepender" e "ser batizado" estão no modo imperativo no grego. Pedro estava respondendo à pergunta, "o que devemos fazer?" O resultado que o público queria desesperadamente era o perdão. Pedro instruiu-os a como recebê-lo. O tom parece ser uma instrução a dispostos aprendizes. Ainda assim, é evidente a partir do texto que o arrependimento e o batismo são necessários, a fim de receber o perdão e a promessa do dom do Espírito Santo. Portanto, eu penso que se qualifica como um mandamento. E o contexto torna claro que o mandamento aplica-se a todos a quem o Senhor chamar, em todos os tempos.

In Filipenses 4:4, ambas as ocorrências do verbo "alegrar" estão no modo imperativo. No entanto, o contexto dificilmente apóia o entendimento de que Paulo estabelece uma exigência legal, como se a não obediência fosse uma apostasia. Isso parece mais um convite a alegrar-se, ou permissão para se alegrar. Talvez isso pudesse ser chamado de uma entusiasta recomendação ou aconselhamento. Não parece razoável a mim para tomar isso como um mandamento. Seriam pecados os momentos em que falhamos em nos alegrar?

Em Efésios 5:19, os verbos no grego são todos gerúndios ( "falando", "cantando", "fazendo melodia "). Esta passagem parece pintar um retrato de como devemos interagir uns com os outros, manifestando a nossa fé na comunhão. Não se trata de uma lei ou de um conjunto de leis, mas uma descrição do que é bom. Não é uma lista de coisas a fazer, mas a descrição de uma maneira de ser. A passagem não é gramaticalmente um mandamento (ou seja, não é um modo imperativo), nem no significado.

Às vezes um comando está implícito. Considere Gálatas 5:19-23. Aqui Paulo enumera as obras da carne, e os frutos do espírito. As duas metades desta instrução são sutilmente diferentes. A passagem não tem comandos gramaticais, e ainda existe uma clara mensagem implícita: "Não faça as coisas na primeira lista, bem como incentivar os frutos da segunda". Note que, de acordo com o texto, praticar qualquer as obras da primeira lista seria desqualificar alguém de herdar o Reino de Deus. Existe um mandamento implícito para excluir todas essas obras das nossas vidas. No entanto, percebe que ele não diz que você deve demonstrar todos os frutos do espírito, a fim de ser aceitável a Deus. Em vez disso, ele diz que "contra estas coisas não há lei". Elas são produzidas pelo Espírito, e são admissíveis. Portanto, no segundo parte, ele está dando sabedoria, em vez de um mandamento. Novamente ele está descrevendo uma maneira de ser, em vez de listagem coisas para fazer.

Alguns comandos nas Escrituras Sagradas foram limitados a pessoas específicas. Por exemplo, Jesus disse aos 11 (Lucas 24:49), para esperarem até que receberem em Jerusalém poder do alto. O bom senso nos diz que o comando não se aplica a cada cristão.

Como podemos discernir a intenção por trás da multiplicidade de afirmações semelhantes nas Escrituras? Penso que é o trabalho de uma vida, para estudar, meditar, ganhar compreensão. Não estamos destinados a aplicar um algoritmo lógico para o texto para derivar leis a serem respeitadas. Não estamos à espera de chegar à completa compreensão nesta vida. Compreender as Escrituras é uma jornada para a vida toda, não um destino.

No entanto, há alguns comandos claros nas Escrituras, que não devem durar uma vida toda para serem aceitos. Examinar o cerne das nossas principais doutrinas e hermenêutica pode nos ajudar a determinar esses comandos, e onde temos desvirtuado. Talvez esse esforço possa nos ajudar derrubar algumas paredes e promover a unidade na igreja do Senhor.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Comentário sobre a Hermenêutica da Restauração - Parte 1 - O Silêncio das Escrituras

Comentário sobre a Hermenêutica da Restauração
Texto de Alan Rouse
Fonte: http://rouses.net/blog/hermeneutics/silence-of-scriptures.html

Silêncio das Escrituras

Uma das principais questões que tem dividido as igrejas do Movimento de Restauração têm sido: Que conclusões nós podemos extrair do silêncio das Escrituras. Quando as Escrituras explicitamente comandam ou autorizam algo, ou proíbem algo, a resposta é óbvia. Quando vemos um exemplo na Bíblia de alguma prática do primeiro século que foi permitida por um apóstolo podemos razoavelmente concluir que a permissão serve para nós também. A dificuldade surge nos assuntos que não são citados nas Escrituras – isto é, assuntos em que as Escrituras se omitem. Eu mencionei esse tópico em meus comentários sobre a Quinta Proposição de Thomas Campbell no Declaration and Address de 1809 (Campbell's fifth proposition from the Declaration and Address of 1809: http://rouses.net/blog/13_propositions/revisiting-declaration-and_Address.html ). Eu gostaria agora de examinar mais profundamente a questão.

Noventa e quatro anos depois da Declaration and Address, J W McGarvey se referiu a esse assunto em resposta a uma carta sobre a introdução de um órgão em uma igreja. Ele escreveu:

“(...) Para começar vou utilizar o argumento mais forte. Eu começo discutindo que essa prática pertence a uma classe de coisas expressamente proibidas no Novo Testamento. Jesus disse em referência a determinadas adições que os Fariseus tinha feito ao ritual da lei: ‘Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens’ Nessas palavras ele propõe que a doutrina de toda a adoração é vã já que origina da autoridade humana; ou, para pô-la negativamente, que nenhuma adoração é aceitável a Deus que ele mesmo não tenha autorizado. Paulo reflete esse ensino quando condena como ‘adoração vã’ a sujeição a ordenanças humanas (Colossenses 2:20 - 23). A palavra grega utilizada em “culto de si mesmo” significa imposto por si mesmo, como que distinto de uma adoração imposta por Deus; e as práticas referidas no contexto são condenadas dessa forma, mostrando assim que toda a adoração imposto por si mesmo é errada aos olhos de Deus. Agora é universalmente conhecido que não há nenhuma indicação no Novo Testamento de autoridade divina para o uso de instrumento musical na adoração cristã. Aquele que o emprega, portanto, se encaixa na adoração imposta por si mesmo de acordo com Paulo, e oferece a adoração vã de acordo com Jesus.”

Aqui McGarvey apresentava o que considerou como o argumento o mais forte para proibir o uso de um órgão na adoração. Assim é um argumento central a considerar em nossa discussão.

Eu tenho o maior respeito pelo estudo e a integridade de J.W. McGarvey. Entretanto neste assunto eu acredito que ele se equivoca em seu uso das Escrituras, e conseqüentemente, em sua conclusão. Ele apresenta duas Escrituras para sustentação seu argumento, que eu examinarei um de cada vez.

Primeiramente, ele refere-se a Marcos 7, onde Jesus rebate os Fariseus por impor suas próprias regras ao povo. A passagem descreve diversas regras criadas pelos Fariseus que não eram de Deus:

Marcos 7:3-4 “Pois os fariseus e todos os judeus, observando a tradição dos anciãos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem; e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas]”.

Jesus continua descrevendo um exemplo em que a regra dos Fariseus impedia realmente que as pessoas cumprissem a lei de Deus. Ele citou Isaias, e indicou que a passagem era uma profecia sobre os Fariseus. Sua adoração era em vão porque ensinaram como doutrinas as regras dos homens.

Note os exemplos de tais regras que nós podemos tirar dessa passagem:

Não comer até que você dê às suas mãos uma lavagem cerimonial.
Após o retorno do mercado, aspersão antes de comer.
Regra referente à lavagem dos copos
Regra referente à lavagem dos jarros
Regra referente à lavagem das chaleiras
Dar o que você daria a seus pais ao templo, preferivelmente.

Uma coisa está errada sobre todas essas regras: não foram encontrados nas Escrituras, mas foram criadas por homens. Essas regras podem ter tido a aparência de fazer uma pessoa religiosa, e podem ter sido consistentes com determinadas regras bíblicas, mas eram extensões criadas por homens e conseqüentemente de nenhum valor. De fato, aqueles que ensinaram essas regras (os Fariseus) estavam adorando em vão. Note que isto não é dito daqueles que praticaram as regras, mas daqueles que as ensinaram.

Cada uma das regras acima especificava algo que era para ser feito, de maneira específica. As pessoas esperavam cumprir as regras da maneira prescrita. A implicação era de que aquelas coisas eram requeridas a fim estar bem debaixo das regras farisaicas do Velho Acordo.

Essa é uma passagem curiosa que McGarvey escolha para suportar a regra de nenhum instrumento na adoração. Parece que essa passagem proibiria a regra de McGarvey exatamente na mesma maneira que proibiu os exemplos no texto. Sua regra, como a deles, não é encontrada nas Escrituras. Enquanto sua regra não for consistente com outras coisas nas Escrituras consiste em uma extensão criada por homens e é conseqüentemente de nenhum valor. Sua regra especifica é a de que música na adoração deve ser feita de uma maneira particular (sem instrumentos). E sua regra foi elevada a uma prova para saber quem está em boa posição sob o Novo Acordo. Sua regra está junto com a lavagem dos copos, dos jarros, e das chaleiras.

A segunda passagem discorrida por McGarvey para suportar a regra de nenhum instrumentos é Colossenses 2:20-23:

Cl 2:20-23 “Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.”

Antes, no mesmo contexto, Paulo diz:
Cl 2: 16-17: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo.”

Neste contexto Paulo admoesta os cristãos de Colossos contra impor regras e regulamento adicionais a além de o que Deus tinha entregado. Ele ilustra com alguns exemplos de regras:

Regras sobre o que a comer
Regras sobre o que a beber
Regras sobre os festivais religiosos
Regras sobre celebrações da lua nova
Regras a respeito do sábado

Não segurar
Não provar
Não tocar

Estes são exemplos de regras que alguém pode pensar em impor à igreja, mas que não são declarados no Novo Testamento. Regras na adoração são inclusas nesses exemplos, que não estavam escritas nas Escrituras. Ele reconhece que tais regras têm uma aparência da sabedoria. Mas ele nega categoricamente que têm valor real, e admoesta a igreja para não seguir tais regras.

Outra vez, essa passagem parece argumentar contra a regra que McGarvey quer defender. A regra de McGarvey de nenhum acompanhamento instrumental ao cantar na adoração não é escrita nas Escrituras. Sem dúvida, homens como McGarvey podem achar que essas regras têm uma aparência de sabedoria. Não obstante, essa regra não tem não mais valor do que os exemplos de Paulo.

Nos dois argumentos acima, McGarvey tenta suportar a regra de nenhuma música instrumental baseada no princípio do silêncio das Escrituras. Ele oferece o argumento mais forte que tem para suportar essa posição. Entretanto, as passagens que se usa parecem na verdade proibir a regra e não suporta-la. Nós não somos autorizados a adicionar as regras baseadas na sabedoria aparente dos homens. Se as Escrituras forem silenciosos, nós não devemos nos intrometer para repor uma suposta deficiência (Quinta Proposição de Thomas Campbell).

Após discutir essas duas escrituras, McGarvey fornece um argumento baseado na história do uso dos instrumentos na adoração. Eu não me remeterei a esse argumento, já que se baseia em raciocínio humano e da história extra-bíblica.

Na segunda carta sobre o mesmo assunto, McGarvey dirige-se à questão da consciência:

“Em Rm 14:23, ele ensina que ‘aquele que duvida do direito de comer é condenado se comer’; e se você duvida do direito de adorar com o órgão, você será condenado se o fizer. Os outros, em tentar forçá-lo a fazê-lo, estão tentando trazê-lo à essa condenação. Com respeito às carnes ele ensina (v. 20) que ‘todas as coisas, na verdade, são limpas, mas é mau para o homem o comer com escândalo’; e, conseqüentemente, mesmo que o uso do órgão for inocente, é mal a aquele que a usa com ofensa. Ele diz (v.15): “Se, por causa de comida, o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal.” Conseqüentemente deve ser igualmente verdadeiro que, se por causa do uso do órgão “o teu irmão se entristece, já não andas segundo o amor fraternal.” Ele diz (v.19): “Assim, pois, seguimos as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros.” Diga-lhes que você ficaria contente de consentir com o uso do órgão, mas o fato é que você acreditar que isso é errado, e insista que, como eles não consideram errado cantar sem o órgão, esse preceito requer deles, por causa da paz e da edificação, desistir do seu propósito de usá-lo.”

Nesse ponto eu concordo absolutamente com o McGarvey. Nós devemos dispensar instrumentos ou qualquer outra coisa não essencial que divida de alguma forma os irmãos. Entretanto, isso não se refere à questão do silêncio das Escrituras.

O que isso significa para mim hoje? Eu não devo traçar linhas de Comunhão que não são extraídas das Escrituras. Se Deus tem adotado um homem como seu filho, ele é meu irmão. Não é minha escolha se eu gosto disso ou não. Deus fez assim. Enquanto uma pessoa permanece filho de Deus ele permanece minha irmã.

Rm 14:13: “Não nos julguemos mais uns aos outros; pelo contrário, tomai o propósito de não pordes tropeço ou escândalo ao vosso irmão”.

A necessidade urgente da igreja hoje, a fim trazer a unidade, é eliminar as paredes da divisão baseadas nas coisas não encontradas na Bíblia.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Quem é meu irmão? - Cap. 12

Capítulo 12 – O Prospecto da Comunhão Eterna
Nesse capítulo final o autor argumenta que Deus tem a prerrogativa de perdoar a quem ele quer, independente se essa pessoa foi salva através do processo correto biblicamente. Deus estabeleceu promessas muito claras sobre Salvação e avisos muito claros sobre perdição: “Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Marcos 16.16) (NVI). Mas essas promessas e avisos não retiram de Deus a capacidade de julgar soberanamente. Na verdade as promessas e os avisos vêm depois da prerrogativa, isto é, Deus sem prerrogativa para julgar é um Deus sem autoridade para fazer promessas e avisos.
Deus é ao mesmo tempo duas coisas que parecem ser contraditórias; é Graça e verdade; é um fogo consumidor e é amor. A nossa tendência é de se fixar em um desses pontos e excluir o outro. Da mesma forma esse pensamento exposto pelo autor parece ser contraditório, após ter falado em todo o livro sobre a obediência requerida no Batismo para a remissão dos pecados. Mas não é. Deus tem mandamentos muito claros sobre isso e é nossa função segui-los, ensiná-los e alertar a quem está errado. Mas isso não exclui o fato de Deus ser soberano e ter a capacidade de perdoar alguém que não obedeceu exatamente a seus mandamentos sobre Salvação segundo sua vontade soberana.
Sendo o autor da área do Direito ele usa uma analogia que nos ajuda a compreender bem o que Deus pode fazer no Julgamento Final. Há no Direito uma prerrogativa dada aos juízes que é de dar Clemência a um condenado. Nosso sistema é um sistema de justiça onde (teoricamente) o juiz não pode anular nem a lei nem as penalidades impostas. Mas ainda assim é concedida essa atribuição aos juízes de concederem Clemência a condenados. Clemência é algo que alguém recebe mesmo que comprovado que é culpado. Observamos nos últimos meses os inúmeros pedidos de Clemência para Saddan Hussein; sabia-se que ele era culpado e merecia segundo a lei do Iraque a pena de morte, mas as autoridades internacionais queriam evitar que recebesse essa pena. Semelhantemente Deus pode conceder Clemência no Julgamento Final, de acordo com sua vontade, a alguém que nós sabemos que não passou pelo processo bíblico de Salvação.
O momento que mais demonstra essa prerrogativa na vida de Jesus na terra foi com o ladrão na Cruz. Alguém condenado recebeu diretamente das palavras do Filho de Deus a Salvação. É de se considerar que até aquele momento a Nova Aliança não havia sido estabelecida, não havia processo de Salvação ensinado pelos apóstolos e Jesus tinha autoridade para fazer da maneira que entendesse. Além disso, perdoou diretamente várias pessoas sem Batismo nos evangelhos (“sua fé o salvou”). Deus não perdeu essa capacidade por causa dos mandamentos expressos nas cartas do Novo Testamento.
O fato de ter sido concedida Clemência (exceção) a esse ladrão na cruz não nos dá a autoridade de transformá-la em Justificação (regra geral). Infelizmente, essa passagem das Escrituras é utilizada de forma indevida para legitimar a Salvação sem o processo correto.
Também não podemos afirmar que Deus vai executar essa prerrogativa. Poder fazer algo é uma coisa; realizá-la é outra coisa. Nem também podemos afirmar sobre a maneira como irá executar essa prerrogativa.
O que devemos é cuidar de nossa Missão e seguir Jesus. Na conversa de Pedro com Jesus no capítulo 21 do Evangelho de João, ele fez uma pergunta a Jesus sobre João e a resposta foi: “Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que lhe importa? Quanto a você, siga-me” (vs. 22) (NVI). Nosso trabalho é seguir Jesus, fazer discípulos e não podemos garantir que Deus vai fazer algo que ele pode fazer, mas que não prometeu.
No céu, nós veremos pessoas que não esperamos que estejam lá. Pessoas de outros grupos religiosos; pessoas do Antigo Testamento; e possivelmente alguns que não foram batizados biblicamente. E no céu haverá uma Comunhão perfeita entre os que foram salvos e, entre eles e o Salvador. Executar essa Comunhão na terra é o começo do que vai ser feito no Céu.

Se eu for pro céu, eu espero encontrar três coisas incríveis: primeiro, encontrar alguns que eu não esperava que estivessem lá; segundo, não encontrar alguns que eu esperava que estivessem lá; e terceiro, a grande maravilha de todas, de me encontrar lá.
John Newton

(FIM da série "Quem é meu irmão?")
NOTAS

[1] Maiores informações no endereço http://www.douglasjacoby.com/view_whats_new.php?ID=4. Também é possível baixar as aulas.
[1] Interessados em adquirir esse livro e outros do autor podem fazê-lo pelo endereço http://www.21stcc.com/.
[1] Para essa geração de membros da ICOC, cristãos eram somente os membros dessa instituição. Isso se dava por uma série de padrões estabelecidos nesse julgamento como a doutrina de Salvação, o envolvimento evangelístico e a pureza de caráter pessoal.
[1] O uso de termos jurídicos por parte do autor é proposital, pois leciona em cursos de Direito em faculdades dos Estados Unidos.
[1] O conceito exato desse termo (e também do termo exegese) apresenta diferenças, a depender do autor, mas em geral significa a ciência de interpretação bíblica que tem como objetivo a aplicação do significado das passagens para o leitor no contexto atual.


REFERÊNCIAS

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2000.SMITH, F. LaGard Who is my brother?: facing a crisis of identity and fellowship. Nashville: Cotswold Publishing, 1997.

Quem é meu irmão? - Cap. 11

Capítulo 11 – Falsos mestres ou falso ensinamento?

A questão elaborada pelo autor para tratar do tema é: Se alguém ensina algo biblicamente errado, isso faz dele um falso profeta? Na verdade essa é uma grande tendência: chamar de falso profeta quem ensinou algo errado. Se assim fosse, todos que discordam conosco em algum ponto de doutrina seriam falsos mestres.
Os termos falso mestre, falso professor ou falso profeta traz uma conotação pouco relacionada com algum ensinamento errado. Está mais ligado à pessoa e a seu estilo de vida do que com o ensinamento dessa pessoa. É deslocar-se do impessoal para a pessoa; do ensinamento para a pessoa; da doutrina para a personalidade; do erro doutrinário para o caráter pessoal. Logo chamar alguém de falso profeta é muito complexo e deve ser precedido de muito cuidado, pois isso pode ter conseqüências muito graves. Quando alguém é chamado de falso profeta não acontece somente um afastamento congregacional local, mas acontece entre toda a Família de Deus, pois a “fama” rapidamente se espalha.
Algumas características são apontadas pelo autor para determinar quem é um falso mestre. São elas:
1) A vida dos falsos mestres, em geral é o que os dá essa condição. Seus frutos, obras e ações sempre e, não todos seus ensinamentos. (Romanos 16.17-18).
2) O tipo de ensinamento errado que proclama define sua condição de ser ou não falso profeta. 2 João 9-11 “Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho. Se alguém chegar a vocês e não trouxer esse ensino, não o recebam em sua casa nem o saúdem. Pois quem o saúda torna-se participante das suas obras malignas”. Essa passagem tem sido muito usada para afirmar que qualquer pessoa que traz um “ensino diferente” não é de Deus. Utilizada sem contexto é isso que pode ocorrer. Mas nesse texto, se voltarmos ao versículo 7, veremos a quem João se refere quando trata do assunto; refere-se a enganadores, anticristos que não confessam que Jesus veio em corpo. Isso não significa que diferenças doutrinárias sobre métodos, organização da Igreja, muito menos sobre instrumentos no louvor são as doutrinas que tornam alguém um falso profeta. Por outro lado, dizer que Jesus não veio em corpo é ir contra Sua pessoa e também contra Seus ensinamentos, pois já que não veio em corpo não ensinou nada aqui. Falso profeta então, é também quem destrói a natureza da pessoa de Jesus e de sua missão com seus falsos ensinamentos.
3) Outra característica deles é que são impostores. Tem um aspecto de espiritualidade, mas não são espirituais. Jesus diz em Mateus 24. 23-24 que muitos se diriam cristos e executariam milagres e maravilhas para impressionar os eleitos. Infiltram-se no povo e corrompem outros.
4) É preciso pensar com muita honestidade antes de condenar alguém como falso profeta. Isso pode marcar a pessoa para sempre e o julgamento pode ser equivocado.
(CONTINUA...)

Quem é meu irmão? - Cap. 10

PARTE 3
REPENSANDO SOBRE AS “VACAS SAGRADAS”

Capítulo 10 – A disciplina amorosa do afastamento de membros

Vivemos numa sociedade que também é caracterizada pelo individualismo e, onde a privacidade é um bem sagrado. Na Igreja, pelo contrário, saber de sua vida é importante para as pessoas e, se ela não vai bem, a congregação assume a responsabilidade de ajudar.
O autor começa contando um caso de uma Igreja de Cristo que foi processada em 1984, por afastar uma mulher divorciada e mãe de quatro filhos, que havia se envolvido sexualmente com um homem. Todas as tentativas bíblicas foram feitas até a comunicação à Igreja. Antes de ser afastada a mulher pediu afastamento e processou os presbíteros por invasão de privacidade e por terem causado stress emocional. Aconteceu que por causa disso, algumas congregações começaram a sacrificar ou abrandar a disciplina na Igreja. O autor lida de maneira a reafirmar a necessidade dessa prática bíblica nos casos em que há necessidade.
Alguns pontos são enfatizados:
1) O objetivo da disciplina é fazer com que a pessoa caia em si e retorne à fidelidade à Deus.
2) A disciplina é limitada à congregação local. Igrejas podem avisar sobre o que fizeram com a pessoa para que não tente voltar em outro lugar, mas quem tem autoridade para afastar é a congregação onde o afastado fazia parte.
3) Na prática significa quebrar o relacionamento koinonia. Não é a toa que Paulo fala em 1 Coríntios 5. 11 para nem comer com essas pessoas.
4) É a Igreja que se afasta da pessoa. Se a pessoa quiser se aproximar das pessoas, ela pode; da mesma maneira que pode participar dos cultos (sendo tratada como pagão). Afastamento é diferente de excomunhão que significa proibição de participar dos sacramentos (a missa no catolicismo).
5) Nem todos os pecados afetam a congregação da mesma forma. Logo nem todos serão levados a público. Isso vai depender de dois fatores: do tipo de pecado e da maneira como afeta a congregação. Os pecados que garantem disciplina nas Escrituras são: a) quando um irmão ou irmã se recusa a ouvir a Igreja em um conflito entre membros (Mateus 18.15-17); b) quando imoralidade torna-se pública para congregação (1 Coríntios 5. 1-13); c) quando alguém causa divisão (Tito 3.10) e; d) quem vive ociosamente, contradizendo os ensinamentos dos apóstolos (2 Tessalonicenses 3. 6). Todos esses pecados afetam a congregação e o indivíduo. Nem todos os pecados afetam a congregação, senão todos nós precisaríamos ser afastados.
6) Além de ter como objetivo a reabilitação espiritual do(s) que pecou(aram), a disciplina também visa a proteção dos padrões morais da Igreja. Paulo falou em 1 Coríntios 5.6 que “um pouco de fermento faz toda a massa ficar fermentada”. Pecado que não é lidado pode influenciar os indivíduos da Igreja e, conseqüentemente todo o corpo.
7) A disciplina deve ser efetuada como ensinada por Jesus em Mateus 18. 15-17. Isso evita especulação, fofoca e as decisões são tomadas com paciência e calma.
8) No penúltimo passo da disciplina, “conte à Igreja”, é à Igreja (ou parte dela) que se deve contar e não a algum grupo de liderança. Tem de ser algo público, a Igreja deve estar ciente e por ela própria tomar o passo seguinte de afastar o membro.
9) Para a disciplina na Igreja não há “dois pesos, duas medidas”. Presbíteros, filhos de famílias influentes e etc também devem ser disciplinados se for preciso. A Igreja local tem a autoridade de escolher seus líderes e de repreendê-los quando necessário (1 Timóteo 5. 17-20).
10) A Igreja edificada, em que os membros não toleram pecado, vai sentir-se encorajada para executar a disciplina. Se os membros estiverem em pecado vão ficar com vergonha de desafiar uns aos outros.
(CONTINUA...)

Quem é meu irmão? - Cap. 9

Capítulo 9 - Comunhão Congregacional – A família íntima

Dos cinco níveis de relacionamento propostos pelo autor, talvez esse seja o mais importante e o mais difícil de compreender. Isso porque os relacionamentos acontecem de maneira mais íntima, intensa e pessoal na congregação local.
A congregação local é a resposta de Deus para a solidão humana. É onde se cuida fisicamente, emocionalmente e espiritualmente: orações pelos doentes, enterros, almoços, cultos, orações; tudo junto e com o mesmo sentimento. O propósito é que cada um seja conhecido por outros que possam ajudá-lo; e que também ajude outros. É onde há a oportunidade de servir e de ser servido.
Mas também é onde ocorrem os conflitos e se mostram mais claramente as diferenças. Nem sempre é fácil. Diferenças em métodos de trabalho; diferenças doutrinárias não-essenciais e diferenças de consciência. Tudo isso faz algumas vezes esse relacionamento ser mais difícil.
O autor descreve seus sentimentos sobre dificuldades no relacionamento congregacional: “Então? Vou ou fico? Luto ou cedo? Mantenho unidade no vínculo da paz ou abandono a união no mesmo espírito de paz? Não poderia dizer a vocês quantas vezes eu avalio essas questões?” (SMITH, 1997, p. 161).
Seis perguntas que nós devemos fazer para nos avaliar quando os conflitos e desafios de relacionamento congregacional ocorrem:
1) Meu descontentamento é por questões de consciência ou por comodismo?
2) Quais esforços eu tenho efetuado para promover mudanças na congregação?
3) Minha postura transmite o quê?
4) Que boas influências eu transmito com minha presença na congregação?
5) Quais minhas alternativas?
6) Vale a pena trocar meu desconforto pela quebra da Comunhão?
É importante não somente reconhecer que essas dificuldades acontecem, mas também porque acontecem. Boa parte dessa dificuldade ocorre por causa da incompreensão do quê é uma congregação; como se forma; para quê existe; quem é responsável por ela e, para com quem ela tem responsabilidade.
Os seguintes pontos respondem a essas questões:
1) No Novo Testamento há referências sobre a Igreja em um nível universal e, em um nível local, estando ligada a uma cidade ou região geográfica particular. Ex.: Igreja em Corinto (cidade); Igrejas na região da Judéia (igrejas de uma mesma região); Igreja que se reúne em casa (na casa de Filemon, Priscila e Áquila). A Igreja não era exclusivamente universal; no desenho de Deus a Igreja deveria ser dividida em unidades menores de Comunhão onde SEU trabalho na Terra poderia ser executado. Isso é parte do conceito de autonomia congregacional.
2) O funcionamento das Igrejas se dá através da união de alguns cristãos sob a liderança de pessoas escolhidas por Deus que têm suas qualificações estabelecidas em 1 Timóteo 3 e Tito 1 (presbíteros e diáconos). É mais que um simples lugar de encontro semanal; mas a congregação local foi estruturada para prover crescimento espiritual através de uma liderança espiritual. (Atos 14.23; 20.17; Efésios 4.11-16, 1 Pedro 5.1-2). A moda de escolher congregações de acordo com o gosto está errada; é preciso entender que se você foi escolhido por Deus, é necessário se submeter a uma liderança escolhida por Deus.
3) As congregações são autônomas. Cada congregação é responsável por seus membros e, por suas decisões. Não podemos remover da Comunhão algo que só Deus pode fazer. Na teoria isso é muito bonito, mas é só uma Igreja sair daquilo que entendemos como o certo em métodos e organização e já os removemos. Só Deus pode “remover os candelabros” (Apocalipse 2. 5).
4) Autonomia não quer dizer independência total. As Igrejas do 1º século cooperavam em benevolência às Igrejas mais pobres (1 Coríntios 16.1-4). Também cooperavam com suporte financeiro para o evangelismo (Paulo agradeceu aos filipenses por sua ajuda e suporte no trabalho (Filipenses 4.14-19). Autonomia também não significa desculpa para a desunião doutrinária, já que cada Igreja terá seu trabalho provado pelo fogo (1 Coríntios 3. 12-13). “As Igrejas tem todo o direito (certamente a obrigação) de ensinar o caminho do Senhor mais perfeitamente, mas também não tem o direito nem a obrigação de requerer que alguma congregação responda a esse ensino” (SMITH, 1997, p. 173).
5) O padrão católico (universalidade) de uma pessoa tendo a responsabilidade sobre várias congregações não se aplica nem é observado no Novo Testamento. Líderes têm de se contentar com seu trabalho local e não tem autoridade de mandar em outras congregações.
Mais que tudo, a necessidade de encontro semanal para celebrar juntos a Ceia do Senhor, é a razão principal pela qual a Igreja se reúne. A Igreja do 1º século partia o pão junto. A Ceia é a representação máxima do “sentar-se a mesa juntos”. Os irmãos do 1º século se reuniam para comerem juntos; de casa em casa; diariamente; é mais que uma boa estratégia; era seu exemplo de convívio. Não é à toa que Paulo fala em 1 Coríntios 5 que eles não deveriam se sentar a mesa com o homem que tinha praticado incesto. Comer juntos e dividir a mesma mesa era um sinal de união da Igreja. O relacionamento congregacional em muito se parece com a família de sangue. Uma família que não senta na mesma mesa para comer perde muito de seu convívio e de sua intimidade.
(CONTINUA...)

Quem é meu irmão? - Cap. 8

Capítulo 8 - Comunhão de Consciência - A família mais próxima
Dentro da Comunhão Cristã (“Em Cristo”), há uma subcategoria chamada de Comunhão de Consciência. Trata-se da Comunhão com as pessoas que crêem em aspectos doutrinários, de estilo de louvor e de métodos mais parecidos com os nossos. De certa forma, por causa disso existem pelo menos 4 instituições diferentes dentro do Movimento da Restauração: Igreja Cristã, Discípulos de Cristo, Igrejas de Cristo (unidas e independentes) e Igreja de Cristo Internacional. Não significa necessariamente que as diferenças sejam sempre definidas por instituição, já que dentro das Igrejas de Cristo, por seu caráter autônomo de organização, essas diferenças acontecem de congregação para congregação. Mas o fato é que, independente de ser de instituição para instituição ou, de congregação para congregação, há diferenças entre os filhos de Deus. E algumas dessas diferenças ferem a consciência de alguns irmãos. Principalmente aquelas que podem ser vistas e que envolvem aspectos coletivos e não individuais, como por exemplo, o estilo de louvor.
Duas perguntas são feitas para nos fazer pensar nessas diferenças e na maneira como lidamos com elas: “Quando os pecadores respondem ao chamado de Cristo para crerem, se arrependerem e serem batizados, alguma teologia adicional é necessária para alguém se tornar cristão? Se no processo de se tornar cristão não é necessário que uma pessoa faça um credo confessional sobre predestinação, pecado original e impossibilidade de apostasia, como pode a ‘Comunhão em Cristo’ ser abalada por esses erros doutrinários?” Ninguém precisa saber se o culto deve ser com instrumentos ou não, ou, se deve haver um ou mais que um presbítero na congregação, para ser salvo. Logo, esse tipo de diferença não deveria quebrar nossa “Comunhão em Cristo” como irmãos.
A “Comunhão de Consciência” está dentro da “Comunhão em Cristo”. Todos fazem parte da Grande Família. É onde se diz: “Somos irmãos, mas seguimos caminhos diferentes”.
Mas enfim, em que pontos nós deveríamos nos separar (não significa divisão espiritual)? A resposta é que alguns aspectos de diferenças referem-se somente à questões de convicção individual enquanto outros afetam diretamente a Igreja. Acreditar que os dias da Criação eram literalmente de 24 horas não tem impacto na Igreja. Por outro lado, mudar o louvor no culto que não utilizava instrumentos para um que utiliza instrumentos (e vice-versa) afeta a consciência de várias outras pessoas.
É permitido então haver grupos ou instituições que compartilham das mesmas convicções e que se reúnem separadamente de outros (as) que pensam de maneira diferente (não se fala aqui de divisões individuais e espirituais nas congregações que são satânicas)? Sim, na Igreja do 1º século Judeus e Gentios discordavam em termos de adoração e doutrina; eles receberam o mandamento apostólico de viverem de acordo com suas consciências. Eram ambos, filhos de Deus unidos, mas distintos. Quando os Judaizantes tentaram impor suas regras de consciência aos gentios cristãos, os apóstolos falaram sobre convivência em paz e aceitação mútua.
Se, porém há essa liberdade para se reunir com aqueles que compartilham a mesma consciência que nós, não quer dizer que podemos denegrir, nem desrespeitar, nem ignorar os demais que são da “Comunhão em Cristo”. O que também não significa deixar de condenar algum erro doutrinário de muita relevância como a união homossexual, por exemplo. Os apóstolos fizeram questão de dar instruções aos gentios sobra a vida que deveriam ter, enfatizando que a imoralidade sexual (que era uma prática social comum entre eles) deveria ser evitada, entre outros assuntos. Não era algo como “viva e deixe viver”. É preciso dentro da Comunhão em Cristo, conversar fraternalmente sobre as diferenças.
O trecho da Bíblia que mais é usado para legitimar a “Comunhão de Consciência” é Romanos 14 e início de Romanos 15. Quatro ensinamentos são relevantes na interpretação da passagem: 1) haverá inevitavelmente assuntos controversos nas quais os cristãos irão discordar; 2) nesses assuntos, todo cristão deve praticar o que sua própria consciência o leva a praticar; 3) todo cristão vai ser cobrado por Deus pelo que acredita e pratica em aspectos de sua consciência e; 4) por mais que haja questões que são vistas por cristãos mais maduros como mais simples ou sem importância, os mesmos têm a obrigação de evitar ferir a consciência do irmão “mais fraco”.
Pelo fato de que todos serão julgados por Deus pelo que crêem e fazem, o autor assume a postura de que respeitar a consciência dos outros não significa fechar a boca e não dizer nada sobre assuntos doutrinários e controversos, nem tentar em oportunidades espirituais explicar mais corretamente através de argumentos reais e válidos. Se não fazemos isso estamos deixando de praticar o “falar a verdade em amor”. Isso deve ser feito em momentos oportunos. “Na Comunhão de Consciência nunca se diz ‘como você adora a Deus é algo que não tem muita relevância’. Somente se diz: ‘Nós podemos ter liberdade para adorar e praticar em consciência perante Aquele que vai julgar todo pensamento, ação e doutrina’” (SMITH, 1997, p. 148).
Separar-se por consciência também não significa quebrar a “Comunhão em Cristo”. Gentios apoiaram as Igrejas de judeus com sua ajuda financeira e trabalharam em harmonia. Por várias vezes, no decorrer do livro, o autor usa o termo bíblico em grego que define esse relacionamento: koinonia, que significa relacionamento que transcende barreiras sociais, étnicas, culturais e econômicas, por causa do mesmo Pão que comemos (1 Coríntios 10.16-17). A Santa Ceia que participamos é muito mais que um simples ritual, mas tem além dos significados relacionados com a lembrança da morte de Cristo em nosso favor, um sentido de união, de participação mútua por parte daqueles que foram eleitos por Deus. Deixando à parte estilos de organização da Ceia, todos nós tomamos e participamos do mesmo Pão e por causa disso fazemos parte do mesmo corpo; a Igreja. Por participarmos do mesmo Pão, não podemos quebrar o relacionamento koinonia por outras questões, através de um espírito de contenda, divisão, inveja e orgulho.
O que também ocorre algumas vezes é que a separação legítima motivada por questões de consciência, se torna com o passar do tempo algo satânico motivado por ego e orgulho. A “ponta do iceberg” são as doutrinas, mas por diversas vezes vem precedidas desses pecados. Também não é uma questão de ser conservador ou liberal em aspectos doutrinários; ambos os grupos podem ser motivados por orgulho e partidarismo.
Por fim, Jesus disse ao tratar sobre Satanás, que um reino que luta contra si mesmo está enfraquecido (Mateus 12.25). Perdemos tempo lutando uns contra os outros e nos enfraquecendo, enquanto outras almas perdidas precisam de nossa ajuda.
(CONTINUA...)

Quem é meu irmão? - Cap. 7

Capítulo 7 - Comunhão em Cristo - A família ampliada

A Comunhão Cristã não é delimitada por nós, mas por Deus. Se pessoas em outros grupos nasceram biblicamente através do Batismo, Deus os aceita, pois nasceram de novo. Deus quem uniu gentios e judeus; apesar das diferenças culturais, de adoração e etc, eles tinham uma coisa em comum: todos pertenciam a Cristo. O que então nós temos de fazer não é criar união, mas manter a união criada pelo Espírito Santo.

“Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor. Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito”. “ .... significando que os gentios são co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo, e co-participantes da promessa em Cristo Jesus”. “Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza sua função”. (Efésios 2. 19-22; 3.6; 4.16) (NVI).

A Comunhão Cristã no primeiro século também era um problema devido às diferenças de cultura e de doutrina. Mas o apóstolo Paulo traz o padrão ideal para o relacionamento entre gentios e judeus: juntos; co-participantes com Israel; concidadãos; edificados juntos; participação no mesmo corpo. Se Deus aceita pessoas diferentes de nós como filhos, quem somos nós para não aceitá-los como irmãos?

“Portanto, aceitem-se uns aos outros, da mesma forma que Cristo os aceitou, a fim de que vocês glorifiquem a Deus” (Romanos 15.7) (NVI). É Deus quem os aceita primeiro; portanto devemos aceitá-los também. Uma comparação que podemos fazer é aquela que fala sobre os nossos irmãos de sangue: por mais que tenhamos nos desentendido com eles no passado, isso não muda o fato de que eles continuam sendo nossos irmãos de sangue, pois nasceram dos mesmos pais. Assim também, devemos aceitar nossos irmãos na fé, pelo fato de nascerem do mesmo Pai.

Jesus fez a pergunta “Quem são meus irmãos?” antes de nós. Em Mateus 12.46-50 quando sua mãe e irmãos vieram querendo falar com ele, perguntou aos presentes: “Quem é minha mãe e, quem são meus irmãos?”. Respondeu a sua própria pergunta: “Pois quem faz a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, minha irmã e minha mãe”. Se Jesus definiu seus irmãos pelo fato de fazerem a vontade de Deus, eu não estou em posição de incluí-los ou excluí-los. Observe as seguintes perguntas provocativas realizadas pelo autor: “Há algum crente biblicamente batizado, que eu me envergonharia de chamar de irmão? E os líderes do Movimento de Boston? Ou aqueles que adoram a Deus nas congregações dos Discípulos de Cristo e da Igreja Cristã?” (SMITH, 1997, p. 121).

Jesus não se envergonha de nos chamar irmãos: “Ora, tanto o que santifica quanto os que são santificados provêm de um só. Por isso Jesus não se envergonha de chamá-los irmãos”. (Hebreus 2.11) (NVI). Se Jesus os aceita como irmãos, temos algum direito de tratá-los como menos que isso? “A menos que eles estejam vivendo e demonstrando que vivam como pagãos (uma questão de disciplina congregacional), nós não temos outra opção senão aceitar todos os que Cristo aceitou” (SMITH, 1997, p. 122).

A linha que delimita a Comunhão em Cristo é ao mesmo tempo inclusiva e exclusiva; quem é nascido na fé através do Batismo bíblico é um cristão; quem não é batizado biblicamente não é um cristão.

Também é importante pensar que todos partem do mesmo ponto quando nascem espiritualmente. Não há níveis de Comunhão nesse aspecto e ninguém precisa saber sobre doutrinas como milenialismo, ou do uso de instrumentos no culto para ser salvo.

Um cristão sempre será um filho de Deus. Ele pode ser um filho de Deus afastado, mas ainda continua sendo filho de Deus; um irmão afastado. Isso não quer dizer que a doutrina “salvo sempre salvo” está certa. Mas o filho pródigo deixou de ser filho por ter se afastado orgulhosamente da família e ter gastado toda a fortuna que ganhou? Se assim fosse o pai não se alegraria pelo retorno do filho e faria festa. Podemos evitar de nos reunir com um irmão que foi afastado de uma congregação por questões de disciplina? Sim; devemos. Mas um irmão, afastado é um irmão afastado, nada menos que isso. “Tornar-se um Cristão não é garantia de um eterno relacionamento com Deus. Mas um irmão é um irmão” (SMITH, 1997, p. 124).

Uma questão que o autor não responde é aquela que chama de “zona cinzenta”. Isso quer dizer que em algumas práticas não é tão simples a questão da delimitação sobre Comunhão. Ele refere-se principalmente à prática já citada anteriormente nesse texto que diz respeito às pessoas que foram batizadas pensando que foram salvas antes do Batismo (no momento em que “creram”). Esse caso complexo, mas muito comum hoje não tem semelhança com a prática bíblica apostólica do processo de Salvação. É importante afirmar também que há uma distinção muito grande entre a ação de uma pessoa (ser batizado) de seu entendimento e motivo (o porquê de ser batizado). De qualquer forma essas pessoas devem ser ensinadas de alguma maneira sobre a forma certa e a motivação certa de serem batizadas.

O que significa, em termos práticos, a Comunhão em Cristo? Significa tratar aqueles que nasceram de Deus como irmãos; fazer o bem a eles (Gálatas 6.10); ser bondosos (1 Tessalonicenses 5.15). É entrar no verdadeiro espírito de Comunhão Cristã, mesmo que haja diferenças de estilo, de métodos, de doutrina. É preciso fazer acontecer como nos primeiros dias os cristãos fizeram (Atos 2.42-46). Também significa que há limites determinados pela consciência de cada um; isso quer dizer que ninguém é obrigado a se reunir com um grupo que possui diferenças que o farão ferir a sua própria consciência e a de outros. Ninguém deve servir como tropeço para seus irmãos (Romanos 14 e 15).

(CONTINUA...)

Quem é meu irmão? - Cap. 6

Capítulo 6 - Comunhão de mesma Fé - “Como família”

Esse tipo de Comunhão refere-se ao relacionamento mais estreito que podemos ter com pessoas que crêem em Jesus, mesmo sem serem biblicamente batizadas (e não serem da família). Também trata da maneira como podemos aprender de sua fé e honrá-la. Mais que uma pessoa que não crê em Deus, ou que tem Buda ou Maomé como senhor, essa pessoa apresenta mais identificação conosco. Apesar de não ser da família, é “como família”.
É preciso honrar a fé dessas pessoas, pois em muitos aspectos podemos aprender com seu fervor, com sua adoração, com seu compromisso, etc. Na verdade, a vida pessoal de alguns desses é mais correta do que de alguns de nossos irmãos nascidos biblicamente e que receberam o dom do Espírito Santo. Mas esse fato, não muda o status de nosso relacionamento com eles, ou seja, torná-los família enquanto não são. Um bom exemplo na vida cotidiana se dá com aquelas pessoas que possuem amigos que, ao se tornarem tão próximos, passamos a considerá-las como família, mas não são. Deveríamos então tratar e respeitar essas pessoas, mas com a consciência de que há algo que as impede de se tornarem família de fato: seu nascimento espiritual bíblico que é insuficiente ou errado.
O que significa tratar essas pessoas “como família”? Para o autor é antes de tudo respeitar sua fé. Uma passagem que tem sido usada de maneira não apropriada para legitimar a união com pessoas que somente crêem em Cristo, se estudada de maneira correta descreve muito bem com deveríamos proceder.
“‘Mestre’ disse João, ‘vimos um homem expulsando demônios em teu nome e procuramos impedi-lo, porque ele não era um dos nossos’. ‘Não o impeçam’, disse Jesus. ‘Ninguém que faça um milagre em meu nome, pode falar mal de mim logo em seguida, pois quem não é contra nós está a nosso favor. Eu lhes digo a verdade: Quem lhes der um copo de água em meu nome, por vocês pertencerem a Cristo, de modo nenhum perderá sua recompensa’”. Marcos 9. 38-41 (NVI).
A razão da ação de João era porque “ele não era um dos nossos”. Para seu espanto Jesus disse “não o impeçam”, porque “não falará mal de Jesus” e é “a nosso favor”. Notem que Ele não disse “ele é um dos nossos”. Notem também que no final do trecho Jesus fala sobre pessoas; que se dessem “água a eles por pertencerem a Jesus”, receberiam recompensa. Quem eram os que pertenciam a Jesus nessa passagem? João e os outros apóstolos, não a pessoa que daria água a eles. Portanto, Jesus colocou as coisas no lugar certo; uma pessoa pode não ser da família, mas merece respeito e não deve ser impedida ou criticada por fazer coisas corretas por sua fé em Jesus; eles não são nossos inimigos. Também esses atos não os colocam na condição de ser “dos nossos”; ser um cristão, um salvo. Jesus disse que essas pessoas não devem ser evangelizadas e, ensinadas melhor sobre sua fé em Cristo? Não. Devemos desprezar sua vida espiritual? Não. Mas disse que devemos ter um tipo especial de relacionamento com elas por honrarem a Jesus no que fazem. Não devemos ter Comunhão Cristã com suas especificidades; mas Comunhão pela mesma fé, honrando pelo que merecem. “Nossa honra a eles é parte da recompensa que Jesus diz que eles não perderão” (SMITH, 1997, p. 108), citado na passagem acima.
Outro benefício da Comunhão da mesma fé é com relação aos materiais publicados que ajudam nossa fé; as canções e a possibilidade política de que governantes que crêem em Cristo seja mais democráticos. Salomão orou na dedicação ao Templo (2 Crônicas 6.32-33) por pessoas estrangeiras que não pertenciam a Israel, que quando orassem, que Deus respondesse as suas orações, “para que todo os povos conheçam o teu nome e te temam”. Será que só oramos pedindo a misericórdia de Deus por essas pessoas? Não deveríamos orar também agradecendo pelas bênçãos que a humanidade recebeu por causa de pessoas que ajudaram outras por meio de sua fé em Cristo? Como o mundo seria melhor se todos cressem em Cristo, independente de serem batizados ou não.
Por fim, fala-se aqui de ter um espírito que não é motivado por inveja e orgulho, mas de reconhecimento que precisamos aprender dessas pessoas e, também temos muito a ensiná-las.
(CONTINUA...)

Quem é meu irmão? - Cap. 5

PARTE 2
COMUNHÃO MULTIPLICADA POR 5


Nessa parte do livro, o autor propõe e sistematiza 5 níveis de Comunhão que o cristão deveria ter com os outros, analisando os seus limites e suas razões para tal.

Capítulo 5 - Comunhão Universal – A família da Humanidade
Comunhão universal é o tipo de Comunhão que devemos ter com as outras pessoas, independente de sua religião, credo, ou estilo de vida. Isso se dá pelo simples fato de que todos nós temos a mesma descendência natural: Adão. Um fato que comprova isso se dá quando acontecem as catástrofes e guerras ao redor do mundo. Nós nos compadecemos; alguns ajudam; alguns se manifestam contra a morte de inocentes em países distantes; pensamos sobre a fé dessas pessoas; se eram batizadas ou não. As barreiras criadas pelo homem são quebradas e nós nos envolvemos. Deus não criou o 1º, o 2º e o 3º mundos. Aos olhos de Deus nós somos sem cor, sem raça e sem classe social.
Outro aspecto levantado por LaGard Smith, diz respeito a uma pergunta clássica: “Quem é meu próximo?”. Mas em um mundo com mais de 6 bilhões de pessoas, a pergunta deveria ser: “Quem NÃO é meu próximo?”. Quando Caim matou seu irmão Abel, Deus perguntou onde estava seu irmão de sangue (vindo da mesma raiz: Adão). Ele respondeu com uma pergunta: “Não sei, sou eu responsável por meu irmão?” (Gênesis 4. 9) (NVI). Ele estava se referindo a seu irmão de sangue, nascido do mesmo pai e mãe, mas o sentido disso que aconteceu na Queda da Criação, diz respeito ao que acontece hoje. Todos nós temos responsabilidade uns pelos outros como seres humanos, porque viemos da mesma descendência: Adão.
A nossa idéia de irmandade que diz respeito ao relacionamento dentro da Igreja, tem nos impedido de estabelecer um relacionamento como deveríamos ter com a humanidade. Jesus disse: Se vocês saudarem somente os seus irmãos, o que estarão fazendo de mais?” (Mateus 5.47) (NVI). Jesus não somente ensinou, mas estabeleceu relacionamento com outras pessoas: cobradores de impostos, prostitutas, beberrões, etc. Jesus se compadeceu com a dor da viúva de Naim. Estabeleceu também que o padrão de julgamento Final vai ser baseado (além de outras coisas) no nosso amor pelos outros (Mateus 25. 31-46).
Mas surge o seguinte questionamento exposto por Paulo em 2 Coríntios 6.15b: “Que há de comum entre o crente e o descrente?”. Em termos doutrinários, morais e em compromisso espiritual, a resposta é: NADA. “Não se ponham em jugo desigual com os descrentes” (Vs. 14). Mas se compromisso com o outro não é o ponto - como a Comunhão Cristã e o casamento – nós temos tudo em comum com os descrentes. Viemos da mesma descendência; a mesma chuva que cai para nós cai para eles.
Também, algumas vezes esquecemos da primeira parte de Gálatas 6.10 e só lembramos de fazer o bem aos da família de Deus. “Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé”. (Gálatas 6. 10) (NVI). E isso inclui a todos; independente das ações, da vida pessoal e do mal que já tenha causado a outras pessoas.
Isso também não quer dizer que não há limites. Não precisamos sair convidando todos na rua para ir a nossa casa. Isso também não quer dizer que não devemos afastar do convívio social, alguém que desrespeitou as leis e, prejudicou, feriu e matou outros. Se a Bíblia diz que devemos visitá-los na prisão, quer dizer que alguns devem ser mandados para lá.
Nós temos a tendência de pensar unidimensionalmente com relação à Comunhão; se a pessoa é um cristão batizado e concorda comigo em tudo sobre doutrina, aí eu tenho Comunhão; do contrário, não. Mas na prática diária não é assim; quantas reuniões de condomínio participamos? Quantos almoços de negócio? Quantos jogos esportivos que assistimos juntos com pessoas? Independentemente se xingam, se são divorciados após adultério e etc. Isso é Comunhão com essas pessoas por serem pessoas e, não por que são iguais a nós como cristãos.
A Comunhão Universal é também uma oportunidade de levar uma pessoa a Deus. Se tivermos o propósito certo tentaremos fazer isso. Algumas vezes nós agimos com múltiplas personalidades; na Igreja uma coisa, no mundo outra coisa. Ás vezes (e mais ultimamente) fica expressa nossa preferência em ter convívio com descrentes do que com os cristãos. Isso porque discutimos com nossos irmãos sobre questões estranhas (geralmente doutrinárias). Outro motivo é que nosso convívio com nossos amigos do mundo é mais confortável, pois se não quisermos, não falamos sobre a Bíblia, sobre nossas dificuldades e erros. Isso se torna uma barreira para o evangelismo. Nosso conforto emocional e a possibilidade de perder o convívio com esses amigos nos enchem de medo. Jesus andou com pecadores, mas não se esqueceu de suas necessidades espirituais. “Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar justos, mas pecadores.” (Marcos 2.17) (NVI).
Um outro problema diz respeito à maneira como muitas vezes nós desprezamos o poder da fé das pessoas em suas vidas. Uma pessoa pode ser um crente não batizado e ainda assim viver de maneira correta; de acordo com sua fé. O grande exemplo é Cornélio, que junto com sua família buscava a Deus, era piedoso e “suas orações e esmolas subiram como oferta memorial diante de Deus”. Há pessoas que buscam a Deus em outras religiões. Buscar não significa estar salvo, mas Salvação vem de se buscar; uma coisa de cada vez; primeiro as primeiras coisas.
Um último motivo que confirma que nós devemos ter esse tipo de Comunhão Universal se dá pelos valores morais e universais existentes nos homens. Todos têm esse senso moral eterno e absoluto. Eclesiastes diz que “Deus colocou no homem o anseio pela eternidade” (Eclesiastes 3.11) (NVI).
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Quem é meu irmão? - Cap. 4

Capítulo 4 – Uma incomum “causa comum”

Causas comuns podem existir entre pessoas que congregam ideologias e convicções diferentes. Por exemplo: um grupo de pessoas de várias religiões que tentam salvar o trabalho de um asilo que abriga idosos prestes a ser fechado por falta de apoio do poder público local. São pessoas diferentes, mas que entendem que isso é necessário. Causas comuns vão além das doutrinas.
Comunhão cristã não vai além da doutrina. A pergunta que se faz é: “Jesus orou por movimentos de Comunhão ecumênica?”. Para responder a essa pergunta, é necessário entender a diferença entre associação e Comunhão. Uma pessoa pode se associar com outras em uma causa comum sem estabelecer promessas ou compromissos sobre Comunhão no Reino de Deus. Já a Comunhão ecumênica, em contraste, ao se definir como um movimento que quebra as barreiras doutrinárias para estabelecer união entre os que crêem, se omite com relação a questões de fundamental importância como o Batismo. Mas, é incoerente e inconsistente estabelecer Comunhão no Reino de Deus com alguém que não está no Reino de Deus; que não nasceu de novo. Antes de haver união na família de Deus, as pessoas precisam estar na família de Deus.
Segundo o autor, encontros entre pessoas que entraram para o Reino de Deus através do Batismo para a remissão dos pecados (mesmo que sejam de outros grupos fora do Movimento da Restauração), têm de ser encorajados; enquanto reuniões ecumênicas, entre pessoas de qualquer igreja, são suspeitas, a menos que haja espaço para se falar sobre o processo de Salvação, sobre perdão de pecados e sobre o destino eterno.
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Quem é meu irmão? - Cap. 3

Capítulo 3 – Não chegou pelo “Expresso da Madrugada”
Uma mudança de convicção não acontece de uma hora para outra. No momento em que as situações são vistas com clareza, percebe-se que “por trás da cortina” já estavam acontecendo.
O autor aponta algumas causas dessa abrupta mudança em torno do desejo de unir-se a outros grupos a qualquer preço; sem muita avaliação.
O primeiro aspecto diz respeito à superficialidade das aulas bíblicas; tanto sermões quanto a escola dominical tem um teor muito fraco e, sem uma visão mais profunda à respeito da Bíblia. O louvor no culto tem tomado mais tempo do que o ensino da Palavra. Passar de meia hora num sermão é proibido; além é claro da falta de qualidade dos sermões. Também alguns ministérios específicos como crianças e jovens têm se enfocado mais em atividades “legais” do que em ensinar sobre Deus. Enfim, ambos, mais velhos e mais jovens, têm se perdido por falta de conhecimento. Uma Igreja sem estudo bíblico consistente é uma Igreja beirando a morte.
O segundo aspecto diz respeito ao crescimento da Igreja. A Igreja do 1º século presenciou um crescimento fenomenal advindo do evangelismo através da Proclamação. Uma outra forma de crescimento é através da procriação. Famílias aumentam em número e os filhos são batizados. Isso ocorreu com as Igrejas de Cristo até o período das Guerras Mundiais, mas com a diminuição das famílias, tendo somente dois, no máximo três filhos, o crescimento perdeu a força. E as crianças deixaram de ter aquele entusiasmo pela Igreja e foram atraídas pelo mundo.
Ainda sobre o crescimento, outra questão diz respeito ao número de denominações competindo pelo mesmo número de pessoas de uma região. Algumas estratégias foram adotadas. A arquitetura dos prédios mudou por causa disso: cozinhas para realizar “almoços animados”; quadras de esporte para os jovens; e assim manter as estatísticas altas. Associado a isso, as pessoas começaram a procurar igrejas para atender suas necessidades humanas: programas para os filhos, pregador eloqüente e, um formato de culto excitante. É o fenômeno das mega-igrejas: as que têm mais condições de realizar eventos e coisas atrativas para as pessoas crescem; as que não têm tornam-se cada vez menores. Assim, as Igrejas de Cristo que adotam um formato de culto simples, com música sem instrumentos e, sem “coisas excitantes”, perdeu espaço para as mega-igrejas denominacionais. A conseqüência final disso: após se perguntar “O que fazer para crescer?” percebeu-se a tendência que se vê; aceitar todos independentemente de doutrina, enfatizando aspectos mais gerais da fé cristã. É claro que nesses aspectos não estava contido o Batismo.
Segundo o autor, “[...] apostasia surge quando se perverte a idéia de acomodação (mudança). Nós estamos acomodando as pessoas por causa da Verdade ou acomodando a Verdade por causa das pessoas?” (SMITH, 1997, p. 57; tradução livre minha). Na era das mega-igrejas crescimento é uma ilusão. “E, se crescimento significa mais do que fidelidade à Palavra, você pode estar certo de que não é Deus que está acrescentando pessoas à Igreja” (SMITH, 1997, p. 57). É um crescimento a qualquer custo.
O terceiro aspecto e talvez seja o mais complexo, diz respeito ao tipo de Hermenêutica[i] utilizada na interpretação bíblica. Tem ocorrido uma mudança, defendida principalmente por parte daqueles que defendem essa união a qualquer custo com outros grupos, de uma velha para uma nova hermenêutica. A velha hermenêutica, tradicionalmente usada nas Igrejas de Cristo, é caracterizada por ser demais objetiva, orientada pelos fatos bíblicos, sistemática, racional e enfoca os mandamentos bíblicos, os exemplos e qualquer inferência que pode ser extraída de ambos. Também é focada nas cartas e na organização da Igreja descrita nelas. A nova é meio sem definição e, foca-se na narrativa, na estória, na Cruz e em Cristo. Uma objetiva e a outra subjetiva. Segundo o autor há um problema em ir de uma para outra de uma só vez. Mover-se de um extremo ao outro pode ter conseqüências dramáticas na teologia. Na verdade o que deveria ocorrer era a utilização de ambas e a habilidade de lidar com ambas. “Tanto coração quanto mente. Fatos e estória. Orientação para Igreja e foco em Cristo. Lei e Graça” (SMITH, 1997). O que não pode ocorrer é uma mudança de doutrina para um pragmatismo que busca os resultados de crescimento numérico a qualquer custo.
[i] O conceito exato desse termo (e também do termo exegese) apresenta diferenças, a depender do autor, mas em geral significa a ciência de interpretação bíblica que tem como objetivo a aplicação do significado das passagens para o leitor no contexto atual.


REFERÊNCIAS

BÍBLIA. Português. Bíblia Sagrada. Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2000.
SMITH, F. LaGard Who is my brother?: facing a crisis of identity and fellowship. Nashville: Cotswold Publishing, 1997.
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